terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Língua Brasileira

[...] O Brasil tem dessas coisas, é um país maravilhoso, com o português como língua oficial, mas cheio de dialetos diferentes.
No Rio de Janeiro é "e aí merrmão! CB, sangue bom!". Até eu entender que merrmão era "meu irmão" levou um tempo. Para conseguir se comunicar, além de arranhar a garganta com o erre, você precisa aprender a chiar que nem chaleira velha: "vai rolá umasch paradasch ischpertasch".
Na cidade de São Paulo eles botam "i" a mais na frente do "n": "ôrra meu! Tô por deintro, mas não tô inteindeindo o que eu tô veindo". E no interiorrr falam um erre todo enrolado: "a Ferrrnanda marrrcô a porrrteira". Dá um nó na língua. A vantagem é que a pronúncia deles no inglês é ótima.
Em Mins quer dizer em Minas, eles engolem letras e falam Belzonte, Nossenhora, Doidemais da conta, sô!. Qualquer objeto é chamado de trem. Lembrei daquela história do mineirinho da plataforma da estação. Quando ouviu um apito, falou apontando as malas: "Muié, pega os trem que o bicho tá vindo".
No Nordeste é tudo meu rei, bichinho, ó xente. Pai é painho, mãe é mainha, vó é voinha. E pra você conseguir falar com o acento típico da região, é só cantar a primeira sílaba de qualquer palavra numa nota mais aguda que as seguintes. As notas são sempre em escala descendente, ao contrário do sotaque gaúcho.
Mas o lugar mais interessante de todos é Florianópolis, um paraíso sobre a terra, abençoado por Nossa Senhora do Desterro. Os nativos tradicionais conhecidos como Manezinhos da Ilha, têm o linguajar mais simpático da nossa língua brasileira, Chamam lagartixa de crocodilinho de parede. Helicóptero é aviào de rosca (que deve ser lido rôscha). Carne moída é boi ralado. Se você quiser um pastel de carne precisa pedir um envelope de boi ralado. Telefone público, o popular orelhão, é conhecido como poste de prosa. Ovo eles chamam de semente de galinha e motel é lugar de instantinho. [...]
Kledir Ramil (Fragmento)

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